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Fórum de Comunidades Tradicionais lança Campanha Territórios Vivos

Nova campanha fortalece a luta pela garantia dos territórios tradicionais por meio da celebração da cultura viva e dos modos de existir de comunidades caiçaras, indígenas e quilombolas que habitam o litoral sul do Rio de Janeiro e o litoral norte de São Paulo.



É com grande alegria que o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) anuncia o lançamento da Campanha Territórios Vivos: Cultura, Tradição e Resistência. Construída coletivamente com a participação de comunidades caiçaras, indígenas e quilombolas de Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, e de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, a campanha pretende mostrar ao mundo a força da cultura como instrumento de luta pelo território, fomentando a troca e transmissão intergeracional de saberes e fazeres e articulando mais políticas públicas de cultura para as comunidades tradicionais.


A Campanha Territórios Vivos sucede a Campanha Cuidar é Resistir, iniciada em 2020 em decorrência dos fortes impactos trazidos pela pandemia de Covid 19. Ao todo, a rede de solidariedade do FCT beneficiou cerca de 7 mil famílias em mais de 130 comunidades caiçaras, indígenas e quilombolas com mais de 23 mil cestas básicas com alimentos não perecíveis e kits de higiene e limpeza, além de 30,5 mil recargas de cartões alimentação e mais de 36 mil botijões de gás. Deste total, mais de 20 mil quilos de pescado e 19 toneladas de alimentos agroecológicos vieram diretamente do trabalho nas roças e no mar realizado pelas comunidades tradicionais e pela agricultura familiar.


“Na pandemia demos acolhimento para nossos irmãos e irmãs, e agora afirmamos que é hora de mostrar ao mundo como nossas culturas ancestrais são fundamentais para a preservação dos nossos territórios e como nossos territórios são fundamentais para preservarmos nossas culturas, já que é no território que a cultura vive”, afirma o GT Cultura do FCT.


Imagens do lançamento da Campanha Territórios Vivos, realizada no Quilombo do Campinho (RJ) durante a Reunião Ampliada do FCT.


Frentes de ação


Lançada na Reunião Ampliada do Fórum de Comunidades Tradicionais, realizada no Quilombo do Campinho (RJ), a Campanha Territórios Vivos propõe quatro linhas de ação: Trocas e transmissão intergeracional de saberes e fazeres, Diálogo e articulação de políticas públicas culturais, Formação e capacitação em saberes e fazeres da economia da cultura, e Produção de atividades de visibilidade das culturas tradicionais.


Na primeira linha de ação, a Campanha tem, entre outros objetivos, a realização de rodas de diálogo, troca e transmissão de saberes e fazeres com participação de mestras e mestres e das juventudes comunitárias, o reconhecimento dos mestres e mestras com a entrega de certificados de notório saber, a construção do Calendário das Culturas Tradicionais e ações diretas de defesa de espaços culturais e históricos dos nossos territórios, como ranchos, roças, casas de farinha e casas de reza.


Na segunda linha de ação, dedicada às políticas públicas, a campanha prevê a realização de um diagnóstico das políticas públicas e orçamentos de cultura dos municípios onde atuamos, a ampliação da participação do FCT em conselhos municipais e conferências de cultura, e o diálogo com órgãos de proteção do patrimônio sobre a salvaguarda do patrimônio material e imaterial das comunidades, incluindo a área de abrangência do sítio misto do patrimônio mundial da UNESCO em Paraty e Ilha Grande.


Já na terceira linha de ação, dedicada à formação, a campanha prevê atividades formativas em produção cultural, políticas públicas e legislação na área da cultura, a realização de intercâmbios entre as comunidades e com comunidades fora do território para troca de saberes, e a formação continuada de candidatas e candidatos do FCT que venham a participar das eleições municipais no ano que vem.


Por fim, o quarto eixo de ação da Campanha, dedicado à visibilidade, prevê a organização de atividades de diálogo nas periferias das cidades, a promoção de lançamentos e atos políticos, e a realização de festivais culturais nas cidades onde atuamos.

“Quando a gente vê o caminho que estamos trilhando, isso permite que a gente sonhe. E a Campanha serve para a gente sonhar e cuidar do território, da cultura, da arte, das crianças, dos mais velhos, dos rios, das sementes. É uma campanha do Fórum, mas sobretudo uma campanha de todos nós. Porque ou a gente se junta para fazer essa luta organizada, ou nosso projeto não conseguirá avançar na defesa deste patrimônio que é de toda a humanidade”, destaca Vagner do Nascimento, integrante da coordenação colegiada do FCT.


“Se não fossem o indígena, o caiçara e o quilombola, o FCT não existiria. E ele existe porque estamos aqui e porque somos unidos, apesar de muitas vezes termos ideias diferentes, porque a luta é uma só. Toda a força que nós temos, temos através da ancestralidade e da nossa luta, e me sinto muito orgulhosa de fazer parte de tudo isso”, completa Ivanildes Kerexu, que também integra a coordenação do FCT.



Apoiadores


Como sempre, sabemos que não somos capazes de transformar sozinhos o território no sentido pleno do bem viver. Por isso, saudamos a grande rede de solidariedade que está se formando em torno da Campanha Territórios Vivos. Até aqui, já caminham conosco organizações como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade Federal Fluminense (UFF), o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) e diversos ministérios e autarquias do governo federal, como o Ministério da Cultura (Minc) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR).


“Para a Fiocruz, a construção de políticas públicas baseadas em territórios e na integração com as comunidades é muito importante. Reforço todo o apoio da presidência da Fiocruz para que, em articulação com o Fórum de Comunidades Tradicionais, essas nossas articulações com o território obtenham pleno sucesso”, destaca Mario Moreira, presidente da Fiocruz.


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